“Remake” com cara velha, “Haja Coração” parece avó de “Totalmente Demais”
“Remakes” de novelas não são novidade, mas nos últimos anos ganharam um impulso forte. Com a estreia de “Haja Coração”, já são sete os folhetins refeitos desde 2010. Acho natural perguntar: o que está levando a Globo a optar por rever tramas antigas? Não é uma resposta simples.
A primeira coisa que vem a cabeça é que faltam boas ideias e é mais fácil recorrer a sucessos do passado. Há alguma verdade neste argumento, mas não é qualquer novela que foi bem há 20 ou 30 anos que será bem-sucedida nos dias de hoje.
Outra razão que pode motivar um remake é o desejo de homenagear um autor. Tenho a impressão que esta foi uma das intenções por trás da ideia de refazer “O Astro” (2011), uma trama que expõe o melhor e o pior de Janete Clair (1925-1983). O resultado foi excelente.
Refazer uma novela com base apenas na sua popularidade do passado, como ocorreu com “Gabriela” (2012), é um risco. Walcyr Carrasco não conseguiu ir muito além do texto de Walter George Durst (1922-1997) e o resultado foi morno.
Das sete novelas refeitas nestes últimos sete anos, apenas duas são de um autor vivo, Silvio de Abreu. Coube a ele mesmo escrever o remake de “Guerra dos Sexos” (2012) e a um colaborador seu, Daniel Ortiz, o de “Sassaricando”, rebatizada como “Haja Coração”.
A novela das 19h30 que acaba de estrear me passa a mesma impressão que o remake de “Guerra dos Sexos”: é uma novela velha, sem pontos de contato com os dias de hoje.
Não que estes elementos sociais tenham desaparecido, mas São Paulo na segunda década do século 21 é muito mais que isso. “Guerra dos Sexos” padeceu, ainda, por explorar, de forma anacrônica, a questão de gênero, um tema que ganhou muitas nuances nos últimos anos.
O contraste entre “Haja Coração” e “Totalmente Demais”, a novela que a antecedeu, é gritante. É como se uma novela fosse avó da outra. Tudo ressente a naftalina na trama de Ortiz – do casarão cafona dos Abdala ao jeito de Tancinha (Mariana Ximenes) falar errado.
O esforço de atualizar a trama, incluindo uma personagem que é ex-BBB (Ellen Roche), soa canhestro. As piadas são velhas. O pastelão, bobo. A interpretação exagerada de alguns atores (vou poupá-los de citação) é constrangedora.
Em resumo, não enxergo um bom motivo para refazer (ou “reler”, como quer a Globo) “Sassaricando”, uma comédia que fez muito sucesso em seu tempo (1987-88). A novela pode até alcançar boa audiência, mas duvido que venha a ser lembrada por algum motivo especial.
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